Teich: ‘Deixei Ministério por divergência com cloroquina

Teich: ‘Deixei Ministério por divergência com cloroquina

 

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da pandemia ouve nesta quarta-feira (5) o ex-ministro da Saúde Nelson Teich, a partir das 10h. Ele é o segundo ex-ministro do governo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) ouvido pelos senadores depois de Luiz Henrique Mandetta, que prestou depoimento por 7 horas na terça-feira (4).

 

O depoimento de Teich estava previsto para a terça-feira (4), às 14h. No entanto, o presidente da CPI da Pandemia, senador Omar Aziz (PSD-AM), adiou a oitiva em um dia após o também ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello alegar ter entrado em contato com dois servidores do Executivo que foram diagnosticados com Covid-19.

Resumo da CPI da Pandemia:

Teich faz balanço de passagem curta pela pasta

Na abertura de sua oitiva, Teich fez um resumo de seu breve período à frente do Ministério da Saúde – ele ficou apenas 29 dias à frente da pasta.

Ele destacou que sob sua gestão foram iniciados projetos de testagem e de avaliação da questão do distanciamento e que também foi trazido ao Brasil o teste clínico da vacina de Oxford/AstraZeneca.

“No âmbito da vacinação, eu trouxe a vacina de Oxford, da AstraZeneca, para o Brasil por meio dos estudos clínicos. Comecei a abordagem com a empresa Moderna, fiz uma conversa inicial com a Janssen para iniciar a parte de estudos. Lamentavelmente minha passagem foi curta de modo que não pude dar dese volvimento a esses projetos”, disse o ex-ministro.

Ele ressaltou que os motivos de sua saída da pasta são públicas, mas se devem, basicamente, a constatação de que não teria autonomia e liderança que considerava indispensáveis ao exercício do cargo.

“Essa falta de autonomia ficou mais evidente em relação às divergências com o governo quanto a eficácia e extensão do uso do medicamento cloroquina para o tratamento de Covid-19”, disse.

“Enquanto minha convicção pessoal, baseada nos estudos, de que naquele momento não era existia evidência da eficácia para liberar, existia um entendimento diferente por parte do presidente [Jair Bolsonaro], amparado na opinião de outros profissionais, até na opinião de outros profissionais do Conselho Federal de Medicina, que naquele momento, autorizou a extensão do uso.”

Homenagem a Paulo Gustavo e vítimas da Covid-19

A sessão foi iniciada com uma questão de ordem dos senadores Humberto Costa (PT-PE) e Randolfe Rodrigues (Rede-AP), subscrita pelo relator Renan Calheiros (MDB-AL), para que fosse realizada homenagem ao ator e diretor Paulo Gustavo e também a todas as vítimas da pandemia.

“Queria fazer homenagem às centenas de milhares de pessoas que faleceram. Ontem tivemos a morte de um artista renomado, querido, e essa morte dá uma dimensão do que estamos vivendo”, disse Costa.

“[Que] o impacto que o Brasil tem nesse momento, com a perda de um artista tão querido, inspire os trabalhos dessa comissão de inquérito”, complementou Randolfe.

O presidente da CPI, Omar Aziz (PSD-AM), determinou 1 minuto de silêncio em homenagem ao ator e as mais de 400 mil vítimas da Covid-19 no país. Ele relembrou também a morte do vocalista do grupo amazonense Carrapicho, Zezinho Correa, em decorrência de complicações da Covid-19.

Sessão terá análise de requerimentos

Ainda na terça, o vice-presidente da CPI, senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), afirmou em entrevista coletiva que, após os depoimentos de Teich, a comissão iniciará uma sessão administrativa para apreciar novos requerimentos.

Segundo Randolfe, devem ser analisados os pedidos de convocação do ex-chefe da Secretaria Especial de Comunicação Social do Governo Federal, Fabio Wajngarten, dos ministros da Justiça e da Economia, Anderson Torres e Paulo Guedes, respectivamente, além de empresas farmacêuticas, como a Pfizer e a AstraZeneca.

 

 

Conteúdo: UOL

Foto: Senado